domingo, 11 de abril de 2010

"Sunday, bloody sunday"

Sim, após muito tempo (quase dois anos), eis que a alma responsável por este blog volta às origens e dá início a um novo sopro de vida.
Recomeçar é sempre muito difícil, no entanto, repito a célebre citação de Clarice também existente na última postagem: "Escrever é uma forma de não mentir o sentimento". Talvez seja por isso que eu esteja aqui novamente. Há algo mais forte do que eu que me obriga a escrever compulsivamente, principalmente num dia triste e frio, como hoje.
Este blog repousou sua tempestuosidade nos mares da internet por quase dois anos, e não foi à toa. Havia uma válvula de escape humana, semanalmente, responsável pela minha sanidade mental durante todo esse tempo. Como não tenho mais, por razões óbvias e particulares, utilizo-me desse espaço como um vento forte responsável a fim de assoprar, para bem longe, as nuvens que enegrecem minha história.
Já é tarde e não sei se me sinto à vontade o suficiente para escrever sobre esse domingo paradoxal. É incrível como as redes de relacionamento das quais eu faço parte estão abarrotadas de pessoas e, mesmo assim, é como se eu estivesse sozinho no mundo.
Ontem à noite tive uma experiência completamente fora da mesmice de minha rotina. Uma amiga e eu fomos a uma cidade vizinha compartilhar de uma noite fria com mais dois amigos, sendo um deles, para mim, ainda desconhecido. Numa distância de 60Km surgiram assuntos que iam desde buquê de rosas enviadas anonimamente a sexo anal. Momentos depois, sentados os quatro numa mesa de barzinho, desfrutávamos prazerosamente de petiscos e bebidas, que variavam conforme o grau de ludicidade dos presentes: caipirinha, vodca e refrigerante. Fizemos um brinde às coisas mais insanas e mundanas no mundo. Até então, parecia tudo normal.
Há pessoas que dizem que os olhos são o espelho da alma. O que acontece se você for portador de óculos e consegue, de maneira natural, disfarçar o que realmente se passa naquele momento, como uma máscara responsável por filtrar aquilo que está sendo captado ao seu redor? Pois é mais ou menos isso. Desde minha última ida à São Paulo, em Fevereiro, ontem foi a noite em que eu mais me diverti. O bom de se conhecer pessoas novas é perceber o quanto o ser humano é maravilhoso e individual, não sendo necessário saber de onde vem nem pra onde vai para transformar aquela nova pessoa em seu amigo. Foi incrível. Há muito tempo eu não ria tanto. Mas é claro que, no fundo, eu sabia que hoje iria enfrentar uma sansão mais do que negativa. A ausência dos meus amigos ao meu lado.
A noite se encerrou no apartamento de meu novo amigo. Nossa conversa iria longe se não fosse tarde da noite e o incômodo frio que nos remetia a uma cama quente. Mas já era domingo, e eu voltaria pra casa. Aquilo seria findado em poucos minutos e uma velha estrada escura me traria de volta a uma realidade cruel. Eu retornaria a um mundo repleto de deveres a serem cumpridos e que não poderiam ser feitos numa mesa de bar. Prometemos nos reunir de novo para uma nova rodada de risos e bobagens. Tudo isso, sim, parece uma grande bobagem de minha parte, entretanto, um momento singular, regado à Madonna, fotos, risos e à interatividade de um lindo labrador de olhos expressivos.

Um comentário:

Unknown disse...

Camilo; putz! cara como vc escreve bem! É ; delicioso ler seus textos... inveja boa do limitado aqui,kkk... Eu quero que fique registrado que minha noite tbm foi muito especial; bons amigos antigos e uma boa surpresa; VC! Abraço com carinhos e cara se joga com glitter no blog temos que transformar o seu num livro! Best Seler (perdoe meus erros gramaticais, mas sou mortal e nao um semi-deus da literatura)